quarta-feira, 12 de abril de 2023

NA CONTRA MÃO DA REALIDADE


 Sou ignorado pelas minhas próprias necessidades
 e tenho sido vítima do acaso dos outros
 em meio ao colapso da realidade.

Embriagado de niilismo
transbordo a ficção do meu rosto.

A morte está fora do meu controle.
A vida está fora do meu controle, 
do meu silêncio, 
da minha vontade. 

A FALÊNCIA DA FALA

Falar é tentar nomear o inominável,
 comunicar o incomunicável, 
e reduzir o outro a condição de ouvinte passivo 
de nossos delirantes monólogos pseudo existenciais.

 Toda subjetividade é simulacro
 em um mundo regulado por dispositivos e artifícios, 
onde tudo é conformismo e disciplina
 imposta por um estranho ideal de razão.

 Talvez, tudo que nos reste
 seja abandonar as palavras
  e resgatar o grito
na expressão radical dos corpos
em conflito.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

O CAMINHO DO CAOS

Não quero aprender nada.
Tudo que preciso 
é esquecer da seriedade tosca da vida adulta
até atingir a sabedoria inútil 
de uma criança.

Quero saber a imaginação contra o poder,
o corpo contra a consciência,
em pleno exercício de percepção criadora
através do lúdico acontecer das coisas.
Na contramão do entendimento.
Assim viverei, além de toda esperança.

Quero ser parte do que me acontece agora
como experiência além do vazio
do falso  jogo entre  sujeito e objeto.

Quero viver o caos,
pura e simplesmente,
até desaparecer no finito
das minhas ilusões mais íntimas.


terça-feira, 28 de março de 2023

O ANTI COSMOS DA DESTRUIÇÃO PERMANENTE: UMA PSEUDO TEORIA META POÉTICA

O universo é um estado de destruição permanente.
Tudo que nele existe
 é parte de algum desastre.


Portanto, esqueçam Lavoisier.
 Só se transforma aquilo que se destrói.
Seremos sempre vítimas e agentes
de qualquer processo de destruição em curso,
não importa o contexto ou o sentido
da nossa intervenção.

Pois, neste universo de infinitas catástrofes,
Tudo é nada ,  caos, 
descontinuidades , entropia
e indeterminação.

No anti cosmos do meu sábio delírio,
Todo ato de criação
é parte de um processo de destruição
que tudo consome 
no eterno retorno da desconstrução permanente 
de todas as coisas
que, apenas parcialmente,
de algum modo são
entre o ato e a potência de sua destruição
através do tempo.




domingo, 26 de março de 2023

A HUMANIDADE COMO DOENÇA



A humanidade é uma perversa doença,
uma enfermidade entranhada em nossa animalidade 
a apodrecer nossos sentidos e  consciência.

É preciso supera-la,
regressar ao terrestre
antes que seja tarde.

 Pois o  futuro deste planeta,
não será racional, divino ou humano.
Será atemporal, natural,
e telúrico 
no pulsar da matéria viva
que nos envolve e ultrapassa.


sábado, 18 de março de 2023

DESEDUCAÇÃO

A escola nos conforma
a uma vida morta
de exploração, 
hierarquia,
saber e poder.

Mas a  vida,
indiferente a escola,
nos ensina a revolta,
a arte de desobedecer.

Nunca é tarde para desaprender,
imaginar, sonhar e criar
contra tudo que nos oprime.





terça-feira, 14 de março de 2023

SER LIVRE

Ser livre é um modo de estar despido.
Seja do mundo, dos outros,
de valores, rótulos, identidades,
sentimentos, medos ou vaidades.

É não ter alma
em um  transbordar selvagem e permanente de desespero e  vida.
É um modo de estar sempre inconsciente 
na consciência incerta das coisas.

Ser livre é um ideal impossível
e indispensável ao exercício de si
além de normas, limites e formas.


DESILUDIDOS DA EXISTÊNCIA

Cansado do jogo bobo da existência,
Me rendi a preguiça dos desiludidos da vida.

Nada leva a nada.
Nisso se resume toda nossa ciência.
Pois a vida é, para nós,
 um estado  aleatório
de desimportância da matéria.

Não cultivamos verdades ou vaidades.
Amanhã todos estaremos mortos
e nossos atos e pensamentos
perdidos nos abismos do esquecimento.







sábado, 11 de março de 2023

EM DEFESA DO NOVO MUNDO



Fechem as portas da modernidade.
Enterrem os livros de Kant.
É hora da abolir o trabalho,
destruir a indústria,
rasgar dinheiro,
queimar igrejas
e prender a polícia.

Quero fumar pelado
 contemplando a melancolia
de um belo por do sol descolonizado,
abandonar a escola,
desaprender o mundo,
beber a vida
até provar o mais profundo surto de embriaguez ameríndia.

Abandonei todas as neuras
e ilusões modernas.
Esquecerei de uma vez por todas o lixo da velha Europa,
suas ciências, leis e monoteismos que nos atrofiam a imaginação criadora.

A razão é um brinquedo quebrado
que não vale um passeio de bicicleta
nos rincões do novo mundo.





segunda-feira, 6 de março de 2023

ANDARILHO

Ando por aí, indistinto,
entre vivos, mortos
  e indecisos.

Ando para  perder  tempo.
Pois não tenho mais
a ilusão de um destino.
 Todos os caminhos e lugares
hoje me parecem iguais.

Ando por aí 
buscando outra realidade
no avesso de cada pessoa
que me expõe a futilidade de nossa imanência 
e a  infinitude da minha  insignificância.

Estou sempre presente 
em lugar nenhum,
indiferente aos outros
 e avesso a minha  própria existência.

Ando por aí
para desaparecer em todas os lugares,
na confusão de todos os tempos,
que provaram e povoam meu corpo
anunciando, desde o início,
o fim do caminho
e da ilusão do mundo.

A vida, afinal,
não passa de um grande silêncio.