o cristianismo sobrevive
como fé que atrofia a inteligência,
castra a criatividade
e elimina a independência.
Sobrevive, sofridamente,
através de seus feriados
esvaziados de significado,
através de suas inventadas tradições
cada vez mais opacas.
Perpetua-se por intermédio da moral tradicional,
dos dogmas e da servidão
que podam consciências e contradizem a razão.
O cristianismo sobrevive
como instrumento de dominação, colonização e poder.
Perpetua-se, em tempos modernos,
onde seu deus jaz morto
e o antropocentrismo dá seus últimos suspiros.
O cristianismo sobrevive
quando já não acreditamos mais
nas metafísicas de outros mundos.
Sobrevive, onde, paradoxalmente,
já não persiste como caminho.