domingo, 22 de março de 2020

POEMA PÓS CIVILIZADO

Por estes dias tenho estado vazio de idéias, 
Abominando certezas e convicções,
Além de surpreso por ainda estar respirando
Em meio a catástrofe da vida civilizada.

Tenho estado isolado,
Com o mundo inteiro gritando,
Dentro de mim e do tempo.

Já não me reconheço.
Desraizado das coisas do agora,
 imune a qualquer ilusão de futuro,
Invento o infinito de um mísero instante
Perdido na pós história da humanidade.

quarta-feira, 18 de março de 2020

CONTRA O HUMANISMO

Sobre o cadáver da metafísica, a moral moderna inventou o triunfo do homem como medida de todas as coisas.  Nos impôs  a história como processo civilizatório e triunfo do progresso técnico e existencial. ´

Mas quão  miserável é  esse humanismo e suas ilusões,  sua vontade de verdade!

Em dois séculos ele materializou barbáries nunca antes sonhadas revelando, através da sua vontade de saber e controlar, um desejo velado de morte é deserto. 

O homem como ideal moral é pura apologia ao suicídio coletivo, uma patologia do poder  no seio de um eco sistema que não  comporta mais seu delírio civilizacional.

terça-feira, 10 de março de 2020

A DOENÇA DA VERDADE

A febre da verdade
Inventa o certo e o errado,
Quando todo enunciado
Não passa de um delírio,
Da dor da consciência que vaga louca
Entre a razão e os abismos do nada.

A certeza adoece o juízo 
Na selva da biblioteca. 
Boas leituras
São  somente aquelas
Que de alguma forma
Restaura em nós 
Algum brilho de selvageria.



segunda-feira, 9 de março de 2020

CONDIÇÃO PÓS HUMANA




Sigo perdido entre o humano e o inumano,
Entre o orgânico e o inorgânico
Em qualquer estado de pós natureza.

Sou artifício,
Corpo,
Composição de diversas coisas,
Um quase objeto
Sujeitado a linguagem,
Em estado de transição permanente
Entre o mundo e o rosto.

Sou biopolítico artifício de sociedade,
Simulacro e sujeito,
Na duvidosa existência de mim mesmo
Em meus atos de fala 
e incerta consciência de mundo.

domingo, 8 de março de 2020

O DESAJUSTADO



Quero ser livre da opinião dos outros,
Não  ser celebrado, nem condenado,
Mas reconhecido como alguém que viveu
Acima do certo e do errado.

Lembrem-se de mim pelo meu desprezo pela humanidade,
Pela minha indiferença a moral, aos princípios e propósitos civilizados.

Fui avesso a toda virtude, 
Inconveniente aos bons sentimentos
E um mestre do maus costumes.

Tenho orgulho de ter contrariado todas as expectativas,
De não  ter correspondido ao que esperavam de mim.

Fui Livre nas metamorfoses da minha inadaptação permanente.







sexta-feira, 6 de março de 2020

O MATERIALISMO DA ALMA DAS COISAS


A alma das coisas está no encanto da experiência de comunhão do eu e do mundo, no prazer táctil e sensível de integrar todo objeto a nossa corporeidade, re-experimentando-os nos cinco sentidos e no pensamento (não representativo) como extensão de nós mesmos no abrigo de determinado ambiente material e familiar.

A alma das coisas pressupõe uma indistinção entre o corpo e a coisa, entre o pensamento e a sensação.

A alma das coisas é uma forma de co habitação simbiótica.

quarta-feira, 4 de março de 2020

A VERDADE DO GRITO



Todo trabalho,
toda verdade
e realização humana,
deveria ser substituída por um grito,
revelando o desespero
que nos habita em segredo.

MARGINAL



Sou inadequado.
estou sempre a margem,
na contramão do vento,
entre os inconvenientes,
os derrotados,
os dissonates e problemáticos.

Não quero servir a sociedade,
abomino o sucesso.
Sei que o mundo nunca deu certo.

terça-feira, 3 de março de 2020

POÉTICA DA INSURGÊNCIA


Cuspam poemas nas autoridades,
nas divindades metafisicas e verdades científicas!
Repudiem toda moral!

A palavra é uma arma
contra toda gramatica.
Não tenha medo de usa-la
contra a prisão da norma.

Afinal, a delinquência é o estado natural da poesia
que aguarda o velório do mundo atual.

SEM SAÍDA


Fechem todas as portas
e explodam todas as saídas,
que não haja mais maneiras de fugir,
ser conformado e adiar a vida.

Que ninguém possa fugir
do seu próximo surto,
do seu desespero,
de sua vontade coberta de sangue.

Todos tem direito a alguma loucura!