segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A INCERTEZA DE NOSSAS PALAVRAS



Minhas certezas seguem a deriva,
Frequentam o caminho do nada ao nada
Onde as palavras apenas distraem os olhos.

Agora, nada é mais digno de ser dito e repetido
Do que o espanto do grito que nos releva o silêncio.
A dúvida é uma divida com o corpo,
Decorrente da antiga ditadura do espirito.

As palavras não desenham respostas,
Nem encantam verdades,
Apenas repetem ao vazio
Um único imperativo.
Não acredite naquilo que foi escrito.
Tudo é sempre outra coisa.
As palavras  guardam sua própria realidade
E ela não cabe no fato e no ato de nossa existência.


MAU HUMOR


Enervar-se é inspirar-se contra o mundo.
Afinal não há quem de bom senso
Que não seja contrariado pelos fatos,
Pelo Estado, pelo mercado
Ou pela opiniões publica.

O mundo é uma fábrica de revoltados,
Atormentados e estressados.

A existência é serenamente violenta
E todo dia guarda algo de repugnante.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

POEMA NIILISTA

O absurdo do abismo esclarece simulacros,
Nos permite fugir a tentação da verdade,
As racionalização vazias e a retórica dos especialistas.


Nos abrigamos no espanto,
Digerimos o indizível,
Adivinhando a existência como um pesadelo que nos transborda a consciência.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ROSTO HUMANO


Nada é mais abstrato e enigmático do que um rosto humano,
Esta paisagem de  carne,
Inconstante e fluida,
Que diz mais do que qualquer palavra.

O rosto é o horror,
Um substantivo de irracionalidade viva!




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A EXISTÊNCIA COMO DELÍRIO


Sigo afogado na superfície dos fatos,
Aprofundando impasses,
Mergulhado em silêncios afetivos
E emoções transbordantes.

Meu existir é impreciso,
Precário em interrogações constantes
E delírios de consciência.

Tudo é estranhamento,
Uma implosão de vontades desconcertantes.


sábado, 17 de fevereiro de 2018

AS MARGENS DO ABISMO

Gosto da irreverência dadaísta que nos afasta da solenidade das ideias e das letras,
que nos lança ao paradoxo, ao absurdo e ao niilismo que n os faz crianças do caos saudável.
Gosto de caminhar livre  sobre as ruínas da tradição, da cultura e dos avanços da civilização.

Quero reinventar a noite deste dia, a vida danificada e as angustias da imaginação, sem o constrangimentos de qualquer norma ou razão.

De todas as formas, quero dançar  a liberdade e a barbárie as margens do abismo que nos condena  ao futuro.

Não há mais humanidade em nossas estratégias de subjetivação....

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O JOGO DA EXISTÊNCIA

Seus olhos me dizem quem eu sou.
Mas minha voz revela um outro
Onde existe apenas um vazio humano,
Um vazio que seus olhos
Preenchem de sentido,
Onde os meus olhos também inventam você e o mundo,
No espaço e no tempo de nossa ilusão comum.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

REALIDADE


EU-ESBOÇO



Os dias em que o mundo era simples andam longe.
Esgotei todas as minhas infâncias.
Mas ainda cultivo equívocos e ilusões.
Ainda vivo sem soluções
E guardo as indecisões dos meus jovens anos.
Não levei minha existência a qualquer consequência.
Permaneci um esboço, vivendo do que poderia ser.


OS LIMITES DO EU


O eu precário e incerto que me define é mais efêmero do que o meu corpo. Sou sempre um outro no dizer de mim mesmo, no acontecer dos significados e imaginações. 

Desarticulado e sem rumo, um discurso encontra minha fala quando tudo parece já ter sido dito. Os animais sabem a vida fora da linguagem, são essencialmente idênticos ao próprio corpo, não se inventam signo.