quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

IRRACIONALIDADE E CONDIÇÃO HUMANA


Nunca pensei minha existência a partir de qualquer ideal racional ou como apêndice das representações  sociais  do gênero humano. Sempre tomei a simples  imediaticidade hedonista e sensualista como medida da minha condição de vivente. Isso porque considero que a vida não possui qualquer proposito, o que torna um pouco reducionista justapor minha persona social a espontaneidade dos atos e impressões ordinárias.

 Não somos um ego plenamente estruturado dando respostas ao mundo circundante a partir de uma consciência pragmática e racionalista. Pelo contrário, agimos na maior parte do tempo inspirados por impulsos, impressões, e de modo muito mais  descontínuo e espontâneo do que pensamos.  


De que outra forma explicar os tantos conflitos e impasses que povoam a vida privada dos indivíduos e dá o tom dos seus tantos  equívocos e conflitos  na vida pública? 

ENSINAMENTOS NIILISTAS

Nenhuma transcendência deve contaminar a imanência.
Hegel está morto e Marx ainda apodrece.
Sou o eu que nunca é exatamente a imagem no espelho do conhecimento.
Faço da unicidade inédita minha única propriedade.
Sei que a História não realiza a razão
E o niilismo é a única meta
Diante do triunfo final da inexistência.
Abandonem todas as ilusões,
Tomem um banho de mar
E esqueçam a busca  por qualquer solução.
Não sejam sensatos.
Em hipótese alguma ousem tamanha estupidez.
Contrariem sempre todas as expectativas

Que eventualmente dedicarem a vocês.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

AS PESSOAS SIMULAM A SI MESMAS

As pessoas simulam a si mesmas
Enquanto inventam a realidade
No hibrido da saúde e da loucura.
Não há mais certo e errado,
Apenas paradoxos,
Imprecisões e incertezas.
Não importa o prato do almoço de hoje.
O cardápio limita as opções
E provoca pequenas indigestões.
A razão provoca regressões
E anuncia novas barbáries..

As pessoas simulam a si mesmas....

CONSIDERAÇÕES IRRACIONALISTAS

É preciso enxergar além dos limites do racional o obvio e imediato caos que somos em atos e pensamentos. Ainda hoje, quando todas as certezas perambulam moribundas, ainda mantemos o mau gosto da racionalidade estreita e incapaz de se submeter a critica do espelho.

Somos a pior versão do melhor de nós. Ainda nos iludimos com a civilização e acreditamos que estamos seguros e caminhando a passos largos para o futuro. Mas quanto desprezo me desperta a humanidade... esta invenção fantasiosa que ainda permite a sobrevivência da espécie apesar de sua vocação ao desastre.

A cultura é o anti natural e o anormal através do qual nos arruinamos e nos inviabilizamos como bons animais. Agora nos resta replicar nossos delírios de razão e progresso pelo universo inteiro. Precisamos superar toda ideia de natureza, todo geocentrismo, teocentrismo e outros ismos que sustentaram e ainda sustentam o logus, a razão substantiva e a instrumental que nada mais valem no jogo ontológico de existir em meio acasos e paradoxos.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

NÃO CREIA EM NADA

Não creia em nada.
A fé apenas nos afasta da realidade
E nos embriaga com metafisicas,
Nos inventa esperanças contra o possível.
Ousa mesmo  inventar
Que somos capazes de vencer a morte.
Acreditar é mais fácil do que pensar
E obedecer é melhor do que questionar.
Para que duvidar se posso confiar?
A fé nos anula na exata medida em que nos tranquiliza.
Não creia em nada.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

REALISMO


Desconfio de pessoas bem intencionadas
E que falam em
nome de boas causas,
Bons valores e de um mundo melhor.

Ou elas se enganam ou tentam enganar,
Tirar proveito do nosso desespero.
Prefiro aceitar o caótico e o caos,
A falta de sentido
E todo tipo de absurdo que define o mundo.

Não sou hipócrita, ingênuo ou oportunista.
Sei o quanto não vale a pena a realidade
E não cultivo falsas esperanças utópicas.
Não existe céu e inferno,
O bem e o mal.

Apenas o  amoral e insignificante.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O CAOS NOSSO DE CADA DIA

Viver em sociedade é cada vez mais uma questão de sobrevivência  e não de prosperidade ou felicidade. A sociedade é irracional, absurdamente inconstante na soma de nossas paixões. Há tanta coisa acontecendo a revelia do bom senso, que só podemos concluir pelo caráter aleatório e caprichoso do comportamento dos indivíduos dispersos a céu aberto sob a ilusão de humanidade.

Somos todos e não somos ninguém, culpando uns aos outros pelos erros e inercias que sustentam nosso medíocre cotidiano.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FILOSOFIA PSICODÉLICA

Temia a possibilidade de mudar ao ponto de não mais me reconhecer no espelho.
Não era raro me sentir ausente de mim,
Estranhar meus gestos, minha voz e meu próprio pensamento.
Afinal, o que é essa coisa abstrata e inexplicável que chamam de identidade?
Até que ponto sou este eu que digo
Enquanto percebo com espanto
O tanto de coisa involuntária que me define
Em múltiplas realidades ontológicas?
Digam, se de fato existo tão concretamente quanto suponho?
Nada me parece, assim, tão definido.
Provei alterados estados de consciência...
Soube o fundo aberto de algumas fantasias
Que tinham mais realidade do que este dia,
Esta cadeira ou até mesmo você agora
Sentada na minha frente.
Há coisas que não podem ser ditas,
Que o pensamento não dá conta.
Elas nos levam ao limite

E ao maIs profundo da existência.

INACABAMENTO

Não me revelam a realidade, as estatísticas,
Os testes e resultados de pesquisa.
Números não medem a vida
E nem explicam o comportamento humano.
Escrevo a realidade em meus olhos
Com a escuridão do meu discurso.
Não quero,
Não pretendo,
Nada mais do que um ensaio inacabado
Sobre meu sentimento de mundo.


domingo, 27 de novembro de 2016

CONTRA CULTURA FILOSÓFICA


A cultura desnaturaliza o ser humano.
É sua degenerescência por excelência.
Aqueles que se conformam a cultura 
são reduzidos a condição de rebanho,
os que a transcendem, ao contrario,
superam os deuses.
`
É preciso ir sempre além, 
desvendar o abismo do mundo
ou sucumbir sob o peso de si mesmo.


Buscamos ferozes 
A transfiguração de todos os valores
contra o adestramento civilzacional.