segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

NÃO CREIA EM NADA

Não creia em nada.
A fé apenas nos afasta da realidade
E nos embriaga com metafisicas,
Nos inventa esperanças contra o possível.
Ousa mesmo  inventar
Que somos capazes de vencer a morte.
Acreditar é mais fácil do que pensar
E obedecer é melhor do que questionar.
Para que duvidar se posso confiar?
A fé nos anula na exata medida em que nos tranquiliza.
Não creia em nada.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

REALISMO


Desconfio de pessoas bem intencionadas
E que falam em
nome de boas causas,
Bons valores e de um mundo melhor.

Ou elas se enganam ou tentam enganar,
Tirar proveito do nosso desespero.
Prefiro aceitar o caótico e o caos,
A falta de sentido
E todo tipo de absurdo que define o mundo.

Não sou hipócrita, ingênuo ou oportunista.
Sei o quanto não vale a pena a realidade
E não cultivo falsas esperanças utópicas.
Não existe céu e inferno,
O bem e o mal.

Apenas o  amoral e insignificante.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O CAOS NOSSO DE CADA DIA

Viver em sociedade é cada vez mais uma questão de sobrevivência  e não de prosperidade ou felicidade. A sociedade é irracional, absurdamente inconstante na soma de nossas paixões. Há tanta coisa acontecendo a revelia do bom senso, que só podemos concluir pelo caráter aleatório e caprichoso do comportamento dos indivíduos dispersos a céu aberto sob a ilusão de humanidade.

Somos todos e não somos ninguém, culpando uns aos outros pelos erros e inercias que sustentam nosso medíocre cotidiano.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FILOSOFIA PSICODÉLICA

Temia a possibilidade de mudar ao ponto de não mais me reconhecer no espelho.
Não era raro me sentir ausente de mim,
Estranhar meus gestos, minha voz e meu próprio pensamento.
Afinal, o que é essa coisa abstrata e inexplicável que chamam de identidade?
Até que ponto sou este eu que digo
Enquanto percebo com espanto
O tanto de coisa involuntária que me define
Em múltiplas realidades ontológicas?
Digam, se de fato existo tão concretamente quanto suponho?
Nada me parece, assim, tão definido.
Provei alterados estados de consciência...
Soube o fundo aberto de algumas fantasias
Que tinham mais realidade do que este dia,
Esta cadeira ou até mesmo você agora
Sentada na minha frente.
Há coisas que não podem ser ditas,
Que o pensamento não dá conta.
Elas nos levam ao limite

E ao maIs profundo da existência.

INACABAMENTO

Não me revelam a realidade, as estatísticas,
Os testes e resultados de pesquisa.
Números não medem a vida
E nem explicam o comportamento humano.
Escrevo a realidade em meus olhos
Com a escuridão do meu discurso.
Não quero,
Não pretendo,
Nada mais do que um ensaio inacabado
Sobre meu sentimento de mundo.


domingo, 27 de novembro de 2016

CONTRA CULTURA FILOSÓFICA


A cultura desnaturaliza o ser humano.
É sua degenerescência por excelência.
Aqueles que se conformam a cultura 
são reduzidos a condição de rebanho,
os que a transcendem, ao contrario,
superam os deuses.
`
É preciso ir sempre além, 
desvendar o abismo do mundo
ou sucumbir sob o peso de si mesmo.


Buscamos ferozes 
A transfiguração de todos os valores
contra o adestramento civilzacional.

sábado, 26 de novembro de 2016

VIVER É APENAS UM DELIRO QUALQUER

O mais essencial da experiência de viver não pode ser traduzido em palavras. Pois não faz sentido, não tem propósitos e muito menos realidade. É apenas vivência abstrata inventada pelo artifício da consciência. Somos iludidos pela memória e enganados pelo presente. 

Viver é uma especie de delírio convencionalmente aceito e ao qual durante milênios estamos tentando nos adaptar. Nisso se resume toda a História da Humanidade.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

INDETERMINADO INIMIGO MEU

Algo dentro de mim
Não se harmoniza comigo
E grita o oposto do que penso
Ferindo meus sentimentos.
Rouba de mim o reflexo no espelho
No aquém e além do desejo.
Esta coisa não se define,
Não se conforma.
È puro não ser.
Nega tão radicalmente
Que se quer se afirma
Como qualquer coisa que seja
Oscilando entre os opostos
Que ensinam o abismo

E os múltiplos que apontam as alturas.

SOBRE NOSSA HUMANA CONDIÇÃO IRRACIONAL



 Embora a racionalidade seja uma das codificações simbólicas definidoras da significação e representações que inspiram as práticas humanas, ela não representa de modo algum uma característica inata a nossa peculiar condição animal. Exemplo elementar disso é que não podemos explicar em termos causais porque determinado indivíduo, independente de qualquer circunstancia, tende para este ou aquele ponto de vista ou opção ideológica.

 As inclinações pessoais, tão evidentes no convívio social, possuem motivações irracionais. Assim como a soma de características diversas que resultam na personalidade de um dado individuo, elas  não podem ser explicadas exclusivamente pelo histórico biográfico ou educação deste indivíduo. Muito menos pela adesão racional a determinada visão de mundo ou ideologia.

Tomando emprestada, muito livremente, a diferenciação estabelecida por Freud entre civilização e cultura, diria que a ideia de racionalidade humana está em conflito com nossa natureza pulsional. A racionalidade não passa de uma voluntária renuncia do ego a experiência de seus impulsos mais naturais em favor da manutenção de uma persona que viabilize na vida em sociedade. Mas o artificialismo da razão não predomina o tempo todo e  muito menos  tem controle sobre nossos atos e intenções.  Não podemos ter a vida sob controle o tempo todo. Nossos desejos e impulsos  definem a incondicionalidade de nosso processo de subjetivação.

CENÁRIO

Nem todo cenário possível é acidentalmente fatal.
Não se embriague de certezas.
Nenhuma explicação é fundamental
Ou definitiva.
As coisas acontecem desacontecendo a gente.
Depois é mais interessante do que quando
E agora já é tarde demais.

O cenário já desmoronou....