sábado, 26 de novembro de 2016

VIVER É APENAS UM DELIRO QUALQUER

O mais essencial da experiência de viver não pode ser traduzido em palavras. Pois não faz sentido, não tem propósitos e muito menos realidade. É apenas vivência abstrata inventada pelo artifício da consciência. Somos iludidos pela memória e enganados pelo presente. 

Viver é uma especie de delírio convencionalmente aceito e ao qual durante milênios estamos tentando nos adaptar. Nisso se resume toda a História da Humanidade.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

INDETERMINADO INIMIGO MEU

Algo dentro de mim
Não se harmoniza comigo
E grita o oposto do que penso
Ferindo meus sentimentos.
Rouba de mim o reflexo no espelho
No aquém e além do desejo.
Esta coisa não se define,
Não se conforma.
È puro não ser.
Nega tão radicalmente
Que se quer se afirma
Como qualquer coisa que seja
Oscilando entre os opostos
Que ensinam o abismo

E os múltiplos que apontam as alturas.

SOBRE NOSSA HUMANA CONDIÇÃO IRRACIONAL



 Embora a racionalidade seja uma das codificações simbólicas definidoras da significação e representações que inspiram as práticas humanas, ela não representa de modo algum uma característica inata a nossa peculiar condição animal. Exemplo elementar disso é que não podemos explicar em termos causais porque determinado indivíduo, independente de qualquer circunstancia, tende para este ou aquele ponto de vista ou opção ideológica.

 As inclinações pessoais, tão evidentes no convívio social, possuem motivações irracionais. Assim como a soma de características diversas que resultam na personalidade de um dado individuo, elas  não podem ser explicadas exclusivamente pelo histórico biográfico ou educação deste indivíduo. Muito menos pela adesão racional a determinada visão de mundo ou ideologia.

Tomando emprestada, muito livremente, a diferenciação estabelecida por Freud entre civilização e cultura, diria que a ideia de racionalidade humana está em conflito com nossa natureza pulsional. A racionalidade não passa de uma voluntária renuncia do ego a experiência de seus impulsos mais naturais em favor da manutenção de uma persona que viabilize na vida em sociedade. Mas o artificialismo da razão não predomina o tempo todo e  muito menos  tem controle sobre nossos atos e intenções.  Não podemos ter a vida sob controle o tempo todo. Nossos desejos e impulsos  definem a incondicionalidade de nosso processo de subjetivação.

CENÁRIO

Nem todo cenário possível é acidentalmente fatal.
Não se embriague de certezas.
Nenhuma explicação é fundamental
Ou definitiva.
As coisas acontecem desacontecendo a gente.
Depois é mais interessante do que quando
E agora já é tarde demais.

O cenário já desmoronou....

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

SER, NÃO SER E SOFRER

A dor  interiorizada da consciência é definida pela inalienável incerteza  de nós mesmos. Somos seres inconstantes, escravos do pensamento, este bizarro artifício humano através do qual inventamos um mundo que pouco compreendemos.

Estar consciente é estar ciente de alguma coisa que se apresenta como algo diferente de nós mesmos. O que acaba sendo o mesmo que dizer que a própria interioridade não existe, pois só posso saber de mim através daquilo que não sou.

O eu da consciência é um não lugar psicológico, um modo de estar paradoxalmente fora do dentro de si mesmo. Por isso ter consciência é uma forma de sofrer, um alienar-se...


terça-feira, 22 de novembro de 2016

CONTRA A CIVILIZAÇÃO

Quantas vezes terei de dizer que não acredito na humanidade?
Não me importo com os valores da civilização ocidental,
Com o patrimônio cultural da humanidade
Ou com grandes os grandes tratados de Moral e Filosofia.
A condição humana é a sofisticação da barbárie e do caos
Tal como ditado pela mais  elementar natureza selvagem.
Toda cultura é como um cálice de veneno
Que degustamos diante do crepúsculo.
Buscamos nos aquecer diante da fogueira de nossas crenças,
Da ilusão do progresso e da redenção de nossas mazelas.
Mas somos apenas criaturas miseráveis inventando brinquedos

Para não ter que lidar com o absurdo dos fatos.

IMPERFEIÇÕES

Minhas imperfeições brilham no escuro.
Estão sempre em evidencia.
São elas que me definem
Nos pequenos feitos e grandes atos
De existência errante.
Através delas,
Levo as ultimas consequências
O pequeno problema humano
Que sou.
Preciso descobrir
O que me esclarece entre os outros

Antes que a morte me resolva.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A SUBVERSÃO DOS OBJETOS

Quando o sujeito
se torna predicado
e o predicado sujeito
suprimimos a ilusão do feito.

Todo ato é vazio.
Rasgue suas palavras e pensamentos.
Não se alimente de ilusões.
O  feito se fez
manipulando seu autor.
As coisas nos pensam
enquanto pensamos nas coisas.

domingo, 20 de novembro de 2016

CUIDADO COM SUAS CONVICÇÕES

Convicções dispensam o exercício do bom pensamento e oferecem tranquilidades as consciências fracas que se conservam crédulas e fechadas. Quanto mais universal for uma verdade ou certeza, mas era trará clareza e luz a realidade de quem lhe dá ouvidos. Mas não o fará por qualquer correspondência com os fatos, mas pela ofuscação e autoritarismo de sua pretensão a validade absoluta.
Convicções são as maiores inimigas de uma consciência saudável...

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A SOCIEDADE COMO ESPETRO OPRESSOR

A sociedade  se tornou uma especie de opressão pelo coletivo. Não somos mais parte de um mundo comum e compartilhado, mas escravos de rotinas mecânicas e personas que contrariam nossos impulsos mais elementares. 

Em contra partida perdemos o caro refúgio oitocentista de uma esfera privada destinada a pratica da subjetividade e do tédio. Pelo contrário, já não sabemos em nossas personas os limites entre o  público e o privado e nos tornamos cada vez mais frágeis enquanto indivíduos. 

Ainda não fomos surpreendidos pela  aventura da individuação ... ainda habitamos um mundo sem que ele habite em nós.