quarta-feira, 22 de março de 2017

O SENTIDO DO NARCISMO



Sou em meu próprio universo.
Pouco me importa o mundo,
Os fatos coletivos
E as verdades que informam
A vida de todos.

Dentro de mim a existência
Possui outro rosto.
Um para cada versão de mim
Que circula entre sentimentos,
Sensações e fantasias.

Incertezas e imprecisões
Me inspiram indeterminações.

Danço a existência
Ensaiando sonhos
E semeando futuros no caos.

Dialogo apenas com o espelho.

CORPO E ACONTECER HUMANO


Penso que nossa experiência do mundo
Não deve muito ao pensamento.
Somos um corpo oscilando entre a inércia e o movimento.
Isto define o ritmo da simples existência.

Estamos sempre buscando reproduzir a nós mesmos no tempo
De forma concreta e direta.
Tudo se resume a comer e beber,
Cagar e mijar.

Respondemos as necessidades
Abstratas e concretas
Que nosso corpo estabelece.

O cérebro atrapalha um pouco,
Embora seja o responsável por tudo isso.
Mas a vida do corpo é tudo que somos
E o pensamento não passa de um efeito colateral
De nossa materialidade concreta.

segunda-feira, 20 de março de 2017

NIILISMO DADAISTA

“Explicar: divertimento dos barrigas vermelhas nos moinhos dos  crânios vazios.”

 Tristan Tzara in Manifesto Dadaista- 1918




Não se pode ordenar o caos que se esconde a sombra da ideia de Homem.

O que é o Homem?

É preciso definir a espécie como Mulher,

Como natureza e civilização em constante enandiodromia.

Só os paradoxos e conjunções absurdas

Possuem futuro na decadência da palavra.

A civilização ocidental morreu em 1945.

Sobre as ruinas da Europa inventamos seu simulacro.

Mas é tarde demais para viver um mundo.

A cultura ocidental é um grande cemitério

De ideias e valores imbecis.

Somos impotentes para discernir o grau de clareza

De nossas infinitas confusões, inconclusões,

Equívocos e alucinações.


DIVERSIDADE COGNITIVA



A ideia do Uno não me faz qualquer falta.
Não preciso de impor a tudo causalidades,
Nem me encanto com boas respostas
Ou encantadoras explicações
Que no fundo não são mais do que
Convincentes ilusões.
Prefiro a incerteza,
O indicio e o ambíguo.
Tudo é diverso, múltiplo
E dissonante.

sexta-feira, 17 de março de 2017

UMA DOSE DE SURREALISMO



Ilogismos banhados de oníricos e absurdos
Ainda  comunicam surrealismos.
Futuros perseguem  passados
no céu aberto da escrita automática do tempo.

O telhado é feito de gatos alados
Que miam lembranças antigas.
Uivo saudades a lua.

Sinto falta de coisas jamais vividas.
Queria viver no sonho que vejo
No espelho do aquário
Onde peixes debatem filosofia.

PÓS ÉTICA





Escolhi intuir minhas escolhas,
Decidir inspirado pelo irracional
Os pequenos e grandes atos cotidianos.

Sei que a vida é um absurdo no erro de cada dia,
Que nada conduz a nada em um labirinto de equívocos.
Então, porque pensar muito sobre os meus atos,
Ponderar  suas consequências?

Faço o que sinto,
Volúvel e indeciso.
Ouso confiar em meus erros.

ROMANTISMO E POLITICA



O romantismo surgiu na Alemanha de fins do século XVII através da pena de autores como Herder, Novalis e Hoffman. Representou uma espécie de revolta intelectual contra o “classicismo” e as Luzes Francesas. Sua gramatica é controversa, pois na mesma medida em que afirma a subjetividade e a rebeldia, também afirmou o nacionalismo como ideologia, aproximando intelligentsia e Estado Nação.


Mas como afirma Elias Thome Saliba em As Utopias Românticas, referindo-se ao romantismo pré 1848


“ A política não  pode ser mais, então, um conjunto de decisões pragmáticas ou uma questão de disposições praticas, aplicáveis num determinado momento ou lugar por obra cristalina das autoridades constituídas nem a ação resultante de leis constitucionais ou de legitimidade adquirida.”


Sabia, Elias Tomé. As Utopias Românticas. SP: Estação Liberdade, 2003, p.76


No romantismo, a idealização do tempo vivido e do passado, embasam a recusa do tempo presente e também sua superação. No aspecto político, o romantismo é um questionamento das codificações de poder e Estado configuradas pelo Iluminismo e suas fantasias republicanas. Assim, tal movimento valoriza  o irracional e o passional como modo de agir no mundo e na vida pública.