quinta-feira, 3 de novembro de 2016

ECOS DADAISTAS

Tenho dificuldades hoje em dia com qualquer discurso que aponte para “grandes explicações” da realidade.

Estou farto de cientificismos, filosofia analítica, neo positivismo e outras velhas lorotas iluministas.

Estou entre os irracionalistas,
 Entre os  heréticos que duvidam da verdade, dos fatos e do futuro da humanidade!

Tenho na boca ainda um gole do velho dadaísmo para cuspir contra toda a história da civilização.

Todo o futuro  sonhado de qualquer utópica sociedade feliz será destruído em praça pública!

REFLEXÕES DADAÍSTAS

Há uma dimensão intuitiva em nossa apreensão da realidade. Afinal, a opção por esta ou aquela visão de mundo ou conjunto especifico de opiniões,  não é governada pela simples dedução racional. Talvez sejam as ideias que nos pensem ao contrário  do que supomos em nossa irracionalidade racionalista.

Ideologias e códigos morais servem apenas para mascarar nossa necessidade de certeza e verdade contra o imponderável  da  existência social. Há quem condene ou tema a aposta em uma epistemologia cética que conduza a certo relativismo teórico. Mas já estamos cansados do jogo da Verdade, de uma racionalidade de inspiração iluminista. Pouco esperamos  dos resultados de nossas teses acadêmicas ou ensaios filosóficos. Nada esperamos das soluções metafisicas e dos delírios de um fundamento misterioso da realidade.
Estamos  cheios de todas as respostas,

Fartos da tradição ocidental.

o O PODER DA IMAGINAÇÃO

A fantasia esta longe de ser algo inocente. Nada me parece mais autenticamente humano do que a capacidade e necessidade de imaginar. Todo ato de pensamento, embora orientado racionalmente pela linguagem, é formatado por imagens. Toda percepção humana é uma forma de relação  entre o nosso mundo interior com o mundo  exterior mediado por imagens. Só podemos conceber qualquer coisa em termos humanos na medida em que tornamos um dado familiar ao nosso modo de perceber as coisas. Isso é um ato de imaginação. Mesmo quando não nos damos conta disso e atribuímos todo sentido e significado a inspiração da deusa razão.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A MORTE DO FUTURO

Aquele futuro que nos esperava
Morreu de tédio.
Foi demais para ele
Sobreviver contra o passado
Esperando para ser agora
Quando o tempo todo
Não passava de um nada.
Ninguém sentirá sua falta.
Quem  pode dizer que o conhecia?
Era apenas aquele futuro
Que nos esperava
E do qual só sabíamos
De ouvir dizer.


CAOS

A realidade era simplesmente caótica,
Quase ilegível.
Todos os fatos não faziam sentido.
Mas eu seguia vivo
Contra todas as minhas incertezas,
Contra o fastio de ser,
Pretender qualquer coisa.
Havia me acostumado ao absurdo.
Não tinha medo de estar errado.
Meu grande problema

Era com as verdades do mundo.

FIM DO MUNDO

O mundo inteiro terminou
Dentro de um sonho.
Todas as soluções chegaram
No fim imediato de tudo.
Não sorri,
Não chorei.
Apenas vivi o alivio dos desesperados.
O mundo inteiro terminou
Dentro de um sonho.

E eu só queria que fosse verdade...

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

METADE DE MIM



Tenho participado apenas pela metade
Das coisas da minha vida.
Parte de mim está ausente,
Carente de universo
Se dissipando em algum imaginário
Canto de infinito.
A parte que ficou por aqui
É relapsa.
Pouco  se interessa
Pelas coisas da vida,

Apenas se afoga no instante.

MEU EU

O eu que me define é um lugar vazio,
Apenas o sujeito de uma frase
Dita e esquecida
Em um canto qualquer de cotidiano.
O eu que me define
É tão abstrato que não cabe na vida.
Quase se funde ao silencio
Enquanto o mundo explode

Em significados vagos.

QUANDO TUDO DÁ ERRADO

Tudo deu errado...
Mas não estou frustrado.
Não esperava qualquer outro
Resultado.
A vida é assim,
Tudo se desarruma em um segundo
E tento  não cair em meio à bagunça.
Apenas respiro fundo
E não penso mais nada

Sobre o mundo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ABAIXO O TRABALHO!

Meu ideal é uma vida contemplativa inspirada pelo ócio criativo. O trabalho não possui para mim o mínimo valor. Não passa de um fardo que nos mantem em sociedade, não é nada mais do que  um triste questão de sobrevivência  e necessidade ordinária. Trabalhamos para existir e não para viver.


Espero sinceramente que, em  um belo dia qualquer, o desenvolvimento tecnológico nos conduza a uma sociedade sem trabalho, onde todos sejam livres para o saudável exercício da subjetividade e da mais fecunda  preguiça.