Este blog tem por objetivo a critica a razão moderna tal como configurada pela Iluminismo e pelas revoluções industrial e francesa. Ocupa-se, portanto, das tendências culturais e estéticas ditas “irracionalistas”, representadas pelo Romantismo, pelo Simbolismo, Decadentismo, pela filosofia de Nietzsche e Schopenhauer e, posteriormente, pelas vanguardas estéticas européias da segunda dezena do século XX e finalmente o HEAVY METAL...
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
A URGÊNCIA DO FIM DO MUNDO
O fim do mundo de hoje, de tudo que é moderno e antropomórfico, é a condição necessária para sobrevivência de todos os mundos visíveis e invisíveis no devir extra humano da vida.
terça-feira, 18 de janeiro de 2022
A POTÊNCIA DO GRITO
Aprendi a destilar meu grito
entre a prisão da palavra
e os limites da voz.
Agora sei gritar tão alto
que não sou ouvido.
Mas todos sabem
que eu grito,
sentem o meu grito
como se fossem agredidos
por qualquer soco invisível.
O grito está no meu olhar,
no meu modo de andar,
vestir, rir, e falar.
Meu corpo exala o fedor
do grito.
Por onde passo,
tudo e todos
são perturbados
pelo meu grito.
Definitivamente,
não sou sociável.
Estou sempre vestindo protestos.
E mesmo quando calado,
exibo nos lábios cerrados,
um silêncio que guarda
a potência do grito.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
ANSIEDADE
A ansiedade é uma espera,
uma fome de qualquer coisa
além do dia seguinte.
É uma vontade contida
de transpor limites,
fechar feridas,
calar angustias,
que ninguém sabe a origem.
A ansiedade é a contra verdade do corpo
que resiste ao simulacro da realidade.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
A REALIDADE DA FICÇÃO
A realidade da ficção é mais intensa que a concreta e imediata verdade material e banal da existência cotidiana. Pois ela é palavra e imagem em movimento de afecções e lembrança de coisas impossíveis, vivênciadas no extra-ordinário da fantasia mais intensa. É música, artificialidades de outros mundos dentro do mundo, singularidades que desenham a topografia do inexistente que nos frequenta a consciência, que ganha consistência, através de metafísicas percepções do suprareal.
A realidade da ficção é uma meta existência onde tudo é mais verdadeiro do que qualquer convicção de verdade inspirada pelo material ou pelo ideal. Afinal, a existência é, em seu sentido mais arcaico, uma consciência do assombro e estranhamento de ser corpo e mundo onde tudo foge e escapa através do tempo.
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
O ACASO COMO PRINCÍPIO
Nunca acreditei em milagre,
muito menos em destino.
Abomino toda ilusão
de livre arbitrio.
Aposto em propabilidades,
em acasos encadeados
criando caos e abismos.
Só há liberdade onde nada faz sentido.
.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
QUASE UM LOBO
Aprendi a voar com os peixes,
a andar com os pássaros,
e a imaginar com as borboletas.
Minha vida é feita de indeterminação e incertezas.
Nada aprendi com os humanos.
E ainda corro entre os lobos
pelos labirintos de uma antiga florestas.
sábado, 8 de janeiro de 2022
POR UMA REVOLUÇÃO MOLECULAR ANTI ILUMINISTA
Façam qualquer coisa agora!
Há sonhos morrendo
nos porões da realidade
torturados pela Razão,
pela História,
e pela nação.
Estão matando utopias,
infâncias, e rebeldias,
em nome do progresso da civilização
que capiturou a vida.
Inventem crônicas de tempos intensos
no fundo do presente
através da história pública.
Provem outros mundos em narrativas
contra a ditadura da Razão Universal.
Enforquem Hegel e os historiadores!!
Sejam, contra o absoluto,
os heróis absurdos
de uma nova mitologia local.
DESPERTAR
Hoje acordei
vestido de onírico
e despido de mundo.
Despertei sonâmbulo
e entre os malditos e os sem juizo.
Acordei nauseado pela realidade,
rasgando o céu e o chão,
buscando infinitos
no micro universo
do corpo afetado,
transpassado por sensações de febre,
pensamentos e tempestades de desrazões
no inferno do caos das vontades primordias
onde a duração é devir
e o eu se desfaz.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2022
O ANIMAL
Sou um animal
que come, que dorme,
e se move
em impessoal exercício de natureza.
Sou sede, sou fome,
algo que fala,
que sonha e que morre
em uma terra viva
que me transforma e supera,
pois minha alma é carne.
sábado, 1 de janeiro de 2022
CORPO PALAVRA
O corpo que habita a palavra
é um outro de mim.
É composição de matéria,
espaço circunscrito a sua própria ilusão.
É um corpo desanimalizado,
artificializado,
feito imagem e semelhança de um eu prepotente,
que pensa pensar a si mesmo
inventando um mundo
que só existe na imaginação de si mesmo
como medida de todas as coisas.
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