terça-feira, 16 de outubro de 2018

IMPACIÊNCIA



Não me queiram correto e equilibrado,
Adaptado a todas as normas, princípios,
E futilidades do senso comum.

Não serei previsível,
Sistemático e analisável.

Sou explosivo,
Impulsivo.

 Tenho tantos maus adjetivos
Quanto tenho raivas e  agonias.
Não me queiram normal!
Não me queiram qualquer coisa!
Que tudo entre nós se defina pela distância.

CORPO TERAPIA



Saber o corpo,
Não pensar o corpo,
Sentir o corpo,
Ser o corpo.

Inventar o eu corpo como consciência,
Vivencia múltipla.

Aprender o  corpo substantivo e plural como acontecimento.

Ser  corpo/movimento,
Como tempo e espaço ontológico,
viver o corpo como o fundamento de ser.


terça-feira, 9 de outubro de 2018

METAMORFOSE AMBULANTE




Nego aquilo tudo que me conformou a mim mesmo.
Não quero saber.
Não quero ser.
Prefiro fugir através de cada pensamento,
Da aventura de cada ato.

Há sempre potência,
Virtualidade de ser e não ser.
Tudo acontece “através de...”
Há sempre um passo a diante,
Uma necessidade de partir,
De estar perpetuamente em transição.

Neste exato instante já estou distante.
Já não sou mais aqui.

O QUE NÃO EXISTE



Há algo de desmedido e urgente,
Algo de loucura,
Na consciência que me queima.

Algo que foge a palavra,
Que ronda os atos
E adestra o sentir.

É algo que não existe,
Mas que persiste
E abala auto retratos
E definições.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O QUADRO, O PONTO E O CAMINHO


Um ponto dentro do quadro,
Atravessa a parede
E transcende toda representação.

Cria perspectiva, profundidades.
Deixa de ser um ponto
E se transforma em um caminho.

Para onde nos leva?
Talvez nele não exista lugar.
Apenas passagem,
Transição.

Tudo se resume em ir adiante.
Não importa o destino.
Pode ser que o movimento não pare.
Que só exista o devir e o  caminho.
Mas apenas o olhar o percorre.
O corpo permanece estático,
Indeterminado e misturado a paisagem.
O ponto dentro do quadro já não existe.
Ele fez do quadro um caminho
Que nos faz fugir da paisagem.
A parede não mais nos limita.
Tudo é o caminho.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

CORPO DIZER




Não tenho qualquer pretensão de dizer algo que lhes pareça significativo. Pois sei que o entendimento de cada um é uma paisagem/imagem singularmente construída na unidade de um corpo que pensa. Corpo que se inventa miragem através de suas múltiplas simetrias orgânicas e vazios abstratos. O corpo vivo é movimento molecular e multiplicidades, é um pequeno caos convulso tentando manter-se contra todas as tendências a auto desconstrução. A própria vida é essencialmente um estado de alegre agonia. Então, qualquer coisa que eu diga enquanto corpo ignorante do acidente de seu proprio pensamento, seria o equivalente de um delírio, de uma consciência menor de si mesmo como potência, como virtualidade que, antes de produzir atos e fatos, artefatos linguísticos e materiais, produz a si mesmo como movimento. Ser é mover-se.... é apenas estar dentro de um instante que não se completa e replica a si mesmo. No fundo o binário tempo e espaço é um estado de confusão.  Um corpo possui um vínculo secreto com todos os outros corpos que já existiram, existem e existirão. O mesmo serve para o ato de dizer. Nunca sou eu quem esta dizendo. Há multidões acontecendo naquilo que estou dizendo.

SER CORPO



Aceitei viver todos os riscos de uma existência  vazia.
Nada de compor qualquer quadro social.
Sou apenas meu corpo e suas necessidades diárias.
Não me rotulem de outra coisa que não seja um corpo,
Apenas mais um adorno vivo na paisagem urbana.
 É só isso. Busco repouso e bem estar,
Mesmo  através do movimento.
Tudo é relativo através do meu corpo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O SABER DAS PEDRAS


Escuto a voz das pedras.
Elas antecedem o dizer humano.
Sabem mais sobre o  tempo do que meu corpo.
São senhoras da sabedoria das inercias.
Conformam a paisagem a sua estática estética.


As pedras falam sobre o imutável,
Sobre as permanências.
Sobre as mudanças guardadas no silêncio.
Elas existem no não ser das coisas.
Elas ensinam resistências.

DO EU E DO MUNDO



O que nos conduz do eu ao mundo é sempre a palavra.
Através dela tecemos sentido, inventamos a nós mesmos.
Somos o movimento de um pensamento,
Um corpo que se rearticula através de um discurso.
Há um prazer em dizer a existência,
Em acumular verdades e sentimentos.
Mas falta realidade no caminho de volta
Do mundo ao eu...