quarta-feira, 13 de maio de 2015

INSIGNIFICÂNCIA

Era um existir ordinário,
Pouco significativo
E sem propósito.
Boa razão para um suicídio.
Mas preferia continuar respirando,
Incomodando,
E botando a perder
O otimismo e bem estar dos outros

Arrotando revoltas na avenida central.

DESCONTROLE

Eu não tenho qualquer expectativa,
Nenhuma virtude
Ou  qualquer esperança.
Estamos todos condenados.
Meus sonhos acordaram mortos
Na embriagada madrugada passada.
Acordei para o pesadelo diário
Em meio as brumas de um cigarro.
O dia será ruim,
Muito ruim.
As esperanças estão despedaçadas
Na calçada suja.

E eu não sei  para onde ir.

terça-feira, 12 de maio de 2015

ENTRE OS MALDITOS

Sempre me senti entre os infortunados e desgraçados,

Entre os abandonados pela sorte, que nunca gozarão do mínimo necessário a uma vida minimamente significativa.

Falo da simplicidade de uma rotina de roupas limpas, casa organizada e uma mulher ao lado
Tomando conta das coisas enquanto você, simplesmente, administra pequenos problemas  tentando manter a existência em ordem.

O mundo estava, ao contrário, sempre de ponta cabeça,  fedendo a álcool e cigarro.
O dia seguinte era sempre uma incerteza e uma possibilidade desagradável.

Todas as horas eram tarde demais e ninguém dividia seu tempo  comigo.
Nunca esperava nada de bom. 
Aceitava minha  sina e seguia sem preocupações ladeira abaixo  totalmente desgovernado.


segunda-feira, 11 de maio de 2015

O BURACO DA VIDA

Sempre que posso me ocupo de não fazer nada , de ficar sozinho e como um morto deixando  fantasias malucas  dançarem em minha cabeça. Aos poucos vou, assim, abstraindo a realidade. Chego ao ponto de realmente fingir que não existo.

Trata-se de um exercício relaxante. Um modo de esquecer os problemas e preocupações cotidianas. Não que eu me sinta melhor com isso. Na verdade me sinto pior, pois me surpreendo meio ausente de mim mesmo, incapaz e inútil.

Mesmo assim esta era a melhor maneira de fugir do mundo quando não estava por ai bebendo em algum canto e tentando não ficar sozinho, contra todas as tendências e possibilidades do meu viver sem céu e horizontes.

O mundo era um grande buraco para mim. Apenas aprendia a me adaptar ao buraco.Um buraco lhe tira a mobilidade. Você não tem muito para onde ir e se mexe de forma comedida. Então o melhor é  ficar quieto e deixar a imaginação fazer o resto. Fazer de conta que o buraco e você não estão ali.


Não fazer nada é muito importante na arte de aprender a não querer porra nenhuma, de não se estressar com nada e cagar pro mundo e para as pessoas. O segredo é dedicar algumas preciosas horas a não viver sua própria vida, esquecer de tudo. 

SOBREVIVÊNCIA

Estávamos sozinhos e com frio.
A noite nos  tratava como bastardos.
Mas não nos importávamos.
Ainda podíamos aguentar,
Continuar respirando,
Apesar de tudo.
Isso não nos tornava  heróis.
Apenas indiferentes
A toda aquela porcaria
A nossa volta.
Mesmo  de má vontade,

Sobreviveríamos .

SOBRE O FIM DO MUNDO

Sei que não viverei o suficiente para participar deste grande evento. Mas não me canso de imaginar o fim da humanidade. Pois é certo que assim como cada indivíduo perece nossa própria espécie um dia também encontrará o seu fim, ato que não fará a mínima diferença neste obscuro universo.

Sim. Um dia a humanidade toda, de alguma forma, será extinta. Pode levar um milhão de anos. Mas isso me parece  plausível. Até mesmo necessário.  Não vejo muitas virtudes na aventura humana.  Não enxergo grande coisa na raça humana.


A vida não é tão importante assim quando a gente pensa na quantidade de merda que as pessoas andam fazendo por ai agora individual e coletivamente.  O mundo é um hospício . Mas somos educados para naturalizar o caos, o absurdo nosso de cada dia.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O ABSOLUTO DA NOITE

Entre o fim e o vazio
Invento meu rosto,
Meu desastre
E meu intimo infinito
De mundo.

Meu horizonte escurece a paisagem
E a imaginação transforma
A realidade em miragem.

Talvez seja tarde demais

Para o amanhecer.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

NOVÍSSIMO SURREALISMO


Talvez os sonhos  sejam a rebeldia da realidade,
E o desejo onírico, em termos anti freudianos,
Nos ensine apenas o mais irracional
Da vida cotidiana.

Viver não tem sentido,
É só invenção e artifício
Contra o vazio dos fatos.

Morrer é nosso destino,
O desaparecimento nossa sina.
Por isso é essencial
Respirar perfumes,
Embriaguar-se
Antes que o fim nos destrua

Todas as expectativas.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

SÚCCUBUS

Decorava a noite uma sombra suja,
Uma silhueta de mulher
Que me abraçava no escuro
Enquanto a noite ardia.

Entre sussurros e beijos
Dançávamos nervosos
Qualquer desespero.

Um gosto de morte
Nos cobria os lábios.
Éramos inteiramente
Sem esperanças,
Escravos de nosso desejo vazio
Com o qual apenas
Buscávamos preencher o nada.



domingo, 3 de maio de 2015

O ENGODO DA FELICIDADE

As pessoas possuem, de um modo geral, uma obsessão pela felicidade, pela satisfação banal de suas necessidades pueris. Estão sempre procurando bem estar e diversão, como se isso fosse possível o tempo todo. Estão sempre fazendo coisas idiotas para atingir alguma alegria que seja.

Penso que é isso que faz todo mundo um pouco patético e medíocre.  As pessoas andam tão ocupadas tentando ficar felizes que não se preocupam em se deixar a margem de tudo  de vez em quanto e refletir um pouco sobre seu próprio comportamento compulsivo e absurdo.

Sim. Não somos felizes o tempo todo. O prazer, na verdade, dura muito pouco e a maior parte do tempo estamos insatisfeitos com alguma coisa.

A felicidade é a pior inimiga do homem. É por conta dela que tolices religiosas fazem tanto sucesso  entre os  mais desesperados e o  hedonismo vazio do sexo e da  gastronomia se tornaram em nossa civilização uma espécie de mania.

Em vez de sair por ai buscando inventar alguma alegria tosca, prefiro ficar aqui inerte com uma garrafa do lado e pensando na morte, na velhice  e em todos os limites inerentes a minha insignificante condição humana.


Eu prefiro um gole amargo de realidade do que a confortável ilusão de um sorriso.