quarta-feira, 8 de julho de 2020

O CORAÇÃO DO ABISMO

Há  uma outra vida
No coração do abismo,
Um existir intenso
E indeterminado
Onde impera o uivo.

Apenas os loucos e perdidos
Frequentam o coração do abismo, 
Conscientes de nossa ausência de mundo.

terça-feira, 7 de julho de 2020

MISERIA HUMANA

O ser humano é um animal paradoxal, algo indigno da natureza. Um míseravel que se afirma contra a materialidade do corpo na ilusão  do ser.
O ser humano é  um inimigo da vida, do mundo e de si mesmo.

domingo, 5 de julho de 2020

SER TRISTE

Sou feliz pela minha tristeza.
Sou grato a dor que me rouba
Do mundo comum,
Que me obriga a sonhar,
Delirar,
Revoltar  & criar,
Contra o limite da vida possível.

Ser triste é a melhor maneira de viver felicidade,
É  libertar -se de si,
É  reinventar-se como potência, 
Como corpo dentro de corpos,
Num plano de imanência. 

sexta-feira, 26 de junho de 2020

SER LIVRE

Quero ser livre
No saber da vertigem  do abismo,
Ser onde  me livro de mim mesmo,
Onde me torno singularidade, 
Estranho... 
Paradoxo...
Impreciso...
Multiplo e Intempestivo.

Onde não há  julgamentos,
Verdades,
Na transcendência do ridículo de toda moral,
De qualquer definição  do bem e do mal.

Quero ser livre onde algo em mim respira,
Onde me reconheço
Na impossibilidade do possível,
No enigma do outro 
Que através de mim
Inventa a vida.


quarta-feira, 24 de junho de 2020

O MALDITO

Eu sou um maldito.
Estou entre aqueles
Que não são amados,
Que provam a oposição 
E o ódio dos bem resolvidos e aventurados.

Sou do tipo absurdo,
Inclassificável,
Incorrigível.

Sou de todas as formas
Intempestivo, solitário 
Inadequado e louco.
Sou o portador da peste. 
Mas tenho orgulho disso.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

ABSURDO

Há  um absurdo,
Algo dentro do insólito
Das paredes concretas
Do simples cotidiano.

Algo que não se diz,
Nas redes tristes dos inocentes.

LIMITE

O limite da vida
É  a morte,
Mas o sentido da existência 
É uma aposta,
Uma sorte,
Uma neurose.

CONTRA MUNDO



Não.  Eu não quero saber do mundo.
Eu odeio todos os mundos.
Sou inimigo do possível, 
Do impossível é da vida.

Não  esperem de mim palavras ao mundo, 
Boas respostas e receitas de felicidade.

Eu sou a morte.
A morte que escreve sua última palavra,
Contra suas certezas e esperanças .
Não  esperem que eu diga o mundo,
Seu otimismo  de mortos vivos.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

O SUBVERSIVO

Não sou comportado,
Pragmático
Ou amante da razão. 

Sou louco,
Transgressor
E apaixonado por escândalos.

Sou destes que se negam a obedecer,
Recuso o bom senso,
O juízo e o ponderado .

Abomino a ordem vigente.
Guardo dentro de mim um caos criador.

DESPERTAR

Hoje acordei ausente de mim mesmo,
Revoltado com o mundo
E indiferente a qualquer palavra.

Hoje acordei lúcido e desesperado
No limite da existência. 
Abri os olhos cego de vida.