domingo, 12 de abril de 2020

DEPOIS DO FIM DO MUNDO


As paisagens 
Estão livres de nossa humanidade,
Do pandemônio da civilização. 

O futuro transborda em todas as partes.
Todos os lugares respiram eternidade
No sem tempo da natureza. 

Torna-se evidente
A mais óbvia das verdades:
A vida não é
E nunca foi humana.





sábado, 11 de abril de 2020

PRÉ REVOLUÇÃO

Amanhã, 
Antes do café, 
O futuro há de desabar sobre nós, 
Apesar de todos os protocolos de segurança, 
Do absurdo das autoridades
E este estado de vigilância.

Vamos nos embriagar de esperança,
Rasgar decretos e mandamentos,
Libertar todas as infâncias. 

Acordaremos mil fins do mundo
No casamento do céu e do inferno.
Há  de ser uma grande festa.

domingo, 5 de abril de 2020

SEJA COMO AS ÁRVORES

Nós  aprendemos a pensar com o vento,
A existir com as pedras,
E sentir com a terra.

Já  não  somos humanos
E ignoramos o tempo.

Habitamos o silêncio 
Na confusão do orgânico e inorgânico.

Imitamos as árvores
Enquanto nos reinventarmos em silêncio.  

sábado, 4 de abril de 2020

SER E MITO

Apesar de todos os artifícios,
Metáforas, gramáticas de existência
E civilizações, 
Existimos em eterno estado de natureza.

Somos movidos pelo desejo
Onde o tempo é  eterno retorno
No ciclo das quatro estações do corpo.
Corpo que é  terra,
Sol e lua
Entre a floresta e a aldeia. 

Um animal é  meu guia
Na cosmogonia de ser 
Através  do passado
E do infinito de todas as coisas.

A vida segue como um rio,
Enquanto escuto velhas histórias 
Lendo constelações e mitos
Ao romper de uma nova aurora.

. 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

VIRTUALISMO

O feitiço do Virtual,
Da eternidade do póstumo,
Do impertinente impossível 
É o que nos faz seguir em frente.

Nos oprime o possível,
O objetivo,
A queda no tempo.
Mas algo dentro de nós 
É  intemporal,
Incondional e intempestivo.

Somos feitos daquilo
Que não tem nome.

segunda-feira, 30 de março de 2020

NOSSO SILÊNCIO

Estamos engasgados com nossos silêncios. 
Quanto mais falamos mais ele 
se inscreve na ordem das coisas ditas,
fazendo crescer a angustia do quase indizível.

O silêncio é  feito de palavras novas,
da carne de alguns delírios
que fugiram a prisão da gramática cotidiana,
que escaparam das celas semióticas da academia,  da Razão de Estado dos eruditos.

Nosso silêncio é  barulhento
E engravida gargantas
com a semente de um  grito.






sábado, 28 de março de 2020

POESIA E BARBÁRIE

Não é  o belo que define a poesia. Mas o barbarismo que desterriteoriza a linguagem, que perverte todos os valores, normas e verdades. 
A poesia é  filha do mito e da alquimia,
A sabedoria dos xamãs que transfigura a existência.
A poesia é o que nos inspira a queimar o caderno de versos e reaprender a uivar na invenção de uma nova e redentora barbárie.

segunda-feira, 23 de março de 2020

DESUMANIDADE



Os dias lá fora
já não nos habitam.
E as ruas parecem felizes
Vazias de gente.

Quem sente?
Toda beleza da natureza
Presa no fundo da cidade
Reside no fato de não ser humana.

domingo, 22 de março de 2020

MUDANÇA

Tudo segue em permanente mudança, 
Acontece contra nossas certezas,
Contra a economia, O Estado,
A lei e a ordem.

Tudo muda a revelia dos tratados e vontades 
De todos os tipos de sabições,
Contra a opinião pública,
Países, consensos globais
E religiões. 

Tudo acontece contra nossas inércias, 
Contra nosso mísero progresso,
Contra a ilusão  de sucesso de toda civilização. 



MUDANÇA E COTIDIANO PERDIDO

A  angústia, a incerteza,
O descalabro da ordem cotidiana,
Nos libertam das ilusões e prisões 
De realidades medíocres.
Nos obrigam a tempestade,
A liberdade e  ao intempestivo
De qualquer outra forma de vida.
A intuição do caos 
Sempre nos lança a vertigem 
De qualquer novidade.